Marketplace x e-commerce: qual a diferença?

Marketplace x e-commerce: qual a diferença?

É difícil imaginar uma loja ou marca que não venda online, não é mesmo? Com a aceleração da digitalização, todos querem estar na internet e atingir esse novo consumidor virtual. Mas, para o empreendedor, a primeira pergunta que vem à cabeça é: onde vender meus produtos? 

Uma pesquisa da Ebit|Nielsen em parceria com a Elo, divulgada em 2020, mostra que 78% do faturamento do e-commerce brasileiro vem de marketplaces. Mas o mesmo estudo mostra que 32% dos consumidores ainda não sabem o que significa a palavra marketplace. Afinal, e-commerce e marketplace podem aparecer em muitos lugares como sinônimos, mas possuem diferenças bem características. 

“O e-commerce é uma loja virtual para uma marca específica, tipicamente utilizado por lojas que querem ter suas vendas oficiais localizadas em um só lugar na web. O marketplace, por sua vez, é um shopping virtual que reúne inúmeras marcas em uma única plataforma. Deste modo, abrange os mais variados tipos, categorias, estilos e preços de um mesmo produto, porém de diversas lojas”, explica Nathan Moojen, CEO do Moda Online e especialista em marketplace. 

O primeiro passo…

Moojen afirma que um erro comum entre muitos empreendedores é acreditar que a venda online é simples: que bastaria colocar os produtos em um site e esperar pelos pedidos. “Esse pensamento está longe de ser realidade. Vender online significa ter mais uma loja, caso você já tenha uma”, pontua o especialista. Isso quer dizer que será necessário ter controle financeiro especial da operação, calcular o preço de venda para aquele canal, controlar o estoque específico para as vendas da internet e, principalmente, ter que se preocupar com ações de marketing feitas só para a sua loja online. 

Uma das principais diferenças que o empreendedor precisa conhecer para fazer sua escolha é que, no modelo de vendas pelo e-commerce próprio, todas as questões jurídicas, financeiras, logísticas, de atendimento e marketing são de responsabilidade da própria marca. “Agora, no modelo de vendas através do marketplace, essas obrigações costumam ser divididas ou até mesmo serem só da plataforma, fazendo com que a marca não precise se preocupar com nada além das vendas”, exemplifica Moojen. 

O marketplace leva vantagem? 

Optar por um shopping digital pode ser um alívio quando o empreendedor está começando. Segundo o especialista, o custo será inferior do que investir em um e-commerce, pois as plataformas de marketplace, especialmente as nichadas, já foram desenvolvidas para atender às necessidades de vendas online. Elas também não costumam cobrar mensalidade nem taxa de implementação – a forma de remuneração desses shoppings se dá pela comissão da venda do pedido. 

“O custo que a marca teria para implementar e manter um e-commerce próprio, além dos erros, acertos e adaptações que com certeza serão necessários, é um gasto considerável que não existe com o marketplace, pois a marca utilizaria a estrutura e expertise que o shopping virtual já possui”, pontua o especialista. Além disso, a plataforma oferece uma solução completa para as marcas, desde o contato inicial até a entrega do pedido, poupando-a da preocupação com boa parte do processo burocrático de vendas na internet. 

O caminho para o sucesso

Outro ponto importante a ser pensado são os desafios que o comércio eletrónico pode trazer. Moojen elenca os 3 principais fatores aos quais os empreendedores devem estar atentos nesse tipo de venda:

  1. Logística: o Brasil possui uma malha viária muito grande e com um sistema de logística ainda precário em alguns aspectos. Além disso, há um alto índice de criminalidade, como roubo de cargas, em algumas regiões do país. Isso tudo faz com que o custo de logística se torne alto e inviabilize algumas compras online;
  2. Risco de crédito/chargeback: usuários que não honram com os comprometimentos financeiros ou o cancelamento da venda por parte da administradora de crédito podem acabar gerando um custo alto para a empresa, impactando os pagamentos de funcionários e fornecedores; 
  3. Estoque: muitas empresas que vendem online têm problemas de estoque, pois não possuem um sistema integrado para controle. Muitas vezes eles fazem uma venda online, mas utilizam o mesmo estoque da loja e não conseguem entregar aquele pedido ou, no caso das indústrias, não conseguem suprir a produção para atender tanto as lojas físicas quanto as lojas online.

Além disso, a marca também deve apostar na qualidade e detalhe da foto e da descrição referente ao produto que está vendendo, pois muitos shoppings virtuais trabalham com um sistema de score do vendedor, fazendo com que esses sellers com maior reputação dentro da plataforma tenham alguns privilégios. “Para ter sucesso em vendas no marketplace é preciso ter consciência de que não basta apenas colocar os produtos na plataforma, esquecer deles e esperar pelos pedidos. Isso não vai acontecer. É um processo que envolve tanto a plataforma quanto a marca. Seu consumidor não está com aquele produto em mãos. Ele deve ler e ver as imagens e conseguir imaginar o produto detalhadamente”.

O CEO ainda afirma que é possível – e aconselhável – atuar em ambos os modelos de negócio, pois estar em um marketplace e possuir um e-commerce potencializa a chance de uma venda acontecer. Tanto o cliente do B2B e B2C consome em diferentes canais de vendas, assim, espera-se que, quanto maior for a quantidade de “vitrines” do seu produto, maiores serão as oportunidades de compras. “Estar em vários canais de vendas em tempos atuais significa respeitar o seu consumidor”, finaliza. 

Sobre o Moda Online

O Moda Online é um shopping virtual que conecta indústrias de moda a revendedores. Com início das atividades no segundo semestre de 2020, trabalha com um mix de marcas e produtos, que vão de roupas e acessórios a calçados com vendas exclusivas por atacado. Tudo para levar diversificação e qualidade a todos os cantos do país. A startup atua nacionalmente no formato marketplace, com uma plataforma própria para os produtores e outra para revendedores. Ferramentas fáceis, ágeis e confiáveis para ajudar o mercado de moda no Brasil a escalar os seus negócios.

Sobre Nathan Moojen

Nathan Moojen é o fundador do Moda Online, startup que conecta indústrias de moda a revendedores de todo o país. Formado em publicidade, já tinha experiência na área graças à relação da família com o mercado têxtil. Atualmente, além de gerir a própria empresa, atua como investidor em outras startups. Mas tem como maior propósito participar da digitalização da moda B2B no Brasil, facilitando o acesso a produtos de qualidade por toda a cadeia: tanto quem produz como quem revende e, consequentemente, o consumidor final.

Natal: apesar da reabertura dos shoppings, compras on-line devem ser as maiores da história no período.

Natal: apesar da reabertura dos shoppings, compras on-line devem ser as maiores da história no período.

2020 foi marcado por profundas mudanças de comportamento social. Isolamento, restrição de circulação e fechamento do comércio impactaram também a forma de comprar das pessoas. Uma pesquisa realizada pela Ebit/Nielsen mostra que mais de 7 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra online no primeiro semestre de 2020, pico da pandemia no país.

As mudanças são observadas também nos dados de pesquisas que demonstram o crescimento de pedidos online, fechamento de lojas físicas, explosão do número de criação de e-commerces e aumento do volume e valor gasto pelo consumidor. Os comerciantes se viram diante de situações desafiadoras e precisaram se adequar à nova realidade para não fechar as portas, situação que ocorreu com 135 mil lojas, de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse número equivale a 10% dos estabelecimentos do comércio varejista em funcionamento antes da pandemia.

Faturamento

A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm)afirma que mais de uma loja on-line é aberta por minuto no país. Antes da pandemia a média era de 10 mil por mês.

Quem conseguiu se adequar está vendo uma boa perspectiva de retomada das vendas e crescimento. Uma pesquisa realizada pela Ebit/Nielsen, no primeiro semestre de 2020, aponta um aumento de quase 50% nas vendas on-line. Esse índice é o maior em 20 anos e se deve, principalmente, por conta do crescimento de pedidos de pessoas que viram na internet uma forma mais segura, e até prática, de adquirir produtos durante a pandemia.

Compras online são as maiores de toda a história

Além disso, notou-se algo muito positivo para quem vende pela internet: o valor médio gasto pelos consumidores é 6% maior quando as compras são feitas de forma on-line. Esse dado foi apresentado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) na pesquisa “Novos hábitos digitais em tempos de Covid-19”. 

“Acho que virou um vício comprar pela internet. Já comprei roupa, calçado, cosméticos, livros, refeições, itens de decoração, eletrodomésticos e móveis. Eu participo de diversos grupos nas redes sociais onde são compartilhadas promoções e na maioria das vezes comprei coisas que não precisava no momento, mas que estavam em promoção e aproveitei a oportunidade“, conta Rafaela Silva Duarte, Relações Públicas. Apesar de gostar muito de comprar pela internet, a Rafaela disse que sabe exatamente o quanto pode gastar porque faz um plenejamento financeiro. “Eu sou bem organizada com meus gastos, então, eu sei quanto tenho para gastar e o quanto preciso guardar todos os meses. Se por um lado a pandemia me fez comprar mais de forma on-line, por outro ela me fez economizar com outros gastos como sair para comer, por exemplo. Ou seja, eu tive uma sobra a mais para gastar conforme a minha vontade“, explica.

Um estudo do Ibope Inteligência mostra que dentre os itens mais comprados estão vestuário, calçados e eletrônicos.

Humanização e personalização X compras online

Por isso, cada vez mais tem se tornado essencial entender o que o cliente procura, como age, o que espera. O atendimento eficiente e atencioso, personalizado para os interesses e necessidades do consumidor, deve fazer parte das estratégias de quem não quer vender uma vez, mas várias vezes fidelizando o cliente. 

Para Bárbara França, o atendimento atencioso de uma grande loja de departamento foi essencial para ela se sentir segura em comprar uma roupa de forma online. Ela conta que teve uma experiência surpreendente e muito positiva ao utilizar um serviço digital para atendimento ao cliente. “Eu havia gostado de uma peça, mas fiquei um pouco em dúvida quanto a qualidade do tecido e se o tamanho ficaria bom em mim. Então, eu mandei uma mensagem pelo chat e uma vendedora me mandou um vídeo mostrando o tecido e detalhes da roupa. Eu fiquei muito satisfeita”.

A loja goiana Fate Mulher, da empresária Cláudia Araújo, tem investido no atendimento personalizado e digital como um diferencial da boutique. “Sabemos que o período é atípico e as clientes estão precisando de mais auxílio para escolher as peças. Fazemos o possível para tirar todas as dúvidas e deixá-las seguras para fazer a compra. É sempre uma conversa franca e muito humanizada”, explica.

Além disso, a divulgação com influenciadoras digitais também tem sido uma ótima opção para driblar o receio das pessoas com relação a comprar de forma online. As influenciadoras publicam vídeos e fotos com as peças mostrando possibilidades de looks e detalhes, ajudando as mulheres a conhecerem o produto e, claro, aguçando o desejo de compra. “Temos investido em provadores virtuais com as influenciadoras. Além de ser muito divertido, as clientes conseguem ver o caimento, o tipo de corte da peça, movimento do tecido no corpo, detalhes de costura”, diz Cláudia.

A loja tem investido na comunicação virtual para atender as clientes que ainda não se sentem confortáveis para ir a loja física ou que residam em outras cidades e estados. Por meio de um link no perfil as compradoras já se conectam diretamente ao dispositivo de mensagens onde podem tirar dúvidas e obter informações sobre pagamento.

“Jingle Bell” –  e as compras de natal?

Depois de um ano tão desafiador como 2020, como está o clima natalino das pessoas? Mais da metade das pesssoas que responderam uma pesquisa da Teads, empresa especializada em mídia, disseram que não vão se contentar com celebrações à distância. Em compensação, os números ficaram bem equilibrados quando a pergunta foi sobre o modo de comprar os tradicionais presentes de natal pela internet! 20% dos entrevistados disse que vai comprar exclusivamente em e-commerces e 21% em lojas físicas.

Sobre a Cláudia Araújo e Fate Mulher

Nascida em Goiânia (GO), Cláudia Araújo é empresária, e fundou a Fate Mulher há vinte e dois anos. Uma loja de moda feminina que busca levar o assunto às mulheres de forma leve, divertida e prazerosa, ajudando na valorização do estilo de seu público.

Sempre por dentro das tendências, a empreendedora se renova a todo momento, trazendo novidades e os melhores produtos para as suas clientes, fazendo com que a loja tenha se tornado um forte nome entre a vanguarda da moda na capital goiana. A Fate tornou-se referência na construção da imagem e da autoestima de cada mulher através da moda. 

2020 já é o melhor ano histórico para o e-commerce nacional

2020 já é o melhor ano histórico para o e-commerce nacional

O Brasil é o país que mais fatura com o e-commerce na América Latina, de acordo com dados da Ebit/Nielsen. Cada vez mais, os brasileiros vão comprar online , de forma recorrente, e em mais categorias de produtos. Em 2019, 5,3 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra pela internet, de acordo com a Webshoppers. O varejo online nacional, faturou R$ 26,4 bilhões apenas no 1º semestre do ano passado. 

No entanto, 2020 vem se mostrando o ano mais promissor, até agora, para os comércios eletrônicos: um crescimento da ordem de 300% na criação de novas lojas virtuais foi registrado, antes mesmo do final do primeiro semestre. Atualmente, a pandemia causada pela COVID-19 acentuou a necessidade de realizar compras remotamente. No período entre 3 de março e 6 de abril, um relatório Ebit/Nielsen mostra um aumento de 18,5% nas compras por e-commerce em relação à semana anterior.

Este incremento vem sendo percebido inclusive em categorias que o consumidor ainda demonstrava preferência pela compra presencial. A ida aos estabelecimentos da vizinhança, ou aquela compra à caminho de casa, entre um compromisso e outro, deram lugar aos pedidos online.

Supermercado e farmácia a um clique de distância 

Quem não compra pela internet, se tornou a exceção. 85% dos brasileiros com smartphone, compram de sites regularmente, de acordo com informações da Mobile Time e Opinion Box.   

Durante a quarentena brasileira, os pedidos de supermercado online quase triplicaram na segunda quinzena de março, com um incremento de 270,3% em relação a primeira quinzena do mês, de acordo com uma pesquisa realizada pela ABCOMM. O comportamento, no entanto, não é novo. Se trata, na verdade, de uma tendência comportamental que foi acentuada pela necessidade de isolamento. 

A escolha dos vegetais da feira semanal, da carne do jantar e até mesmo o estoque mensal de alimentos não perecíveis e a ração do pet, ou ainda aqueles itens indispensáveis da farmacinha, aos poucos já vinham migrando para a compra pela web.  As categorias de Petshop e Alimentos e Bebidas foram as que mais faturaram no e-commerce no primeiro semestre de 2019, segundo dados da Webshopper. 

 “Tivemos um crescimento de 27x nas vendas online. O ticket médio de uma venda online é pelo menos o dobro da venda presencial, já que o cliente tem calma para fazer a compra e pode ver todos os produtos que a loja possui. Além disso, a recorrencia de compra aumenta em até 4x, pois a comodidade que a loja oferece pelo canal online facilita a ‘ida’ do cliente ao mercado”, comenta Luiggi Senna, co-fundador da Convem Store

O consumidor já acostumou a comprar em multicanal

Se engana quem pensa que ao final da pandemia o comércio exclusivamente offline vai voltar aos patamares que possuía antes desta crise global. O consumidor aprendeu um novo jeito de realizar suas compras cotidianas. Ainda mais, quando a rotina se normalizar ele vai desejar poupar tempo e deslocamento. 

O chamado comportamento “Omnichannel”, que remete ao hábito de pesquisar e comprar de forma integrada, entre o varejo físico e virtual, já se tornou o padrão. Os estabelecimentos que não estiverem prontos para atender o seu cliente em seus diferentes momento da jornada de compras perderá cada vez mais espaço no mercado. 

Em 2019, 56% dos consumidores decidiram comprar um produto por encontrar a opção de compra multicanal. Na faixa que vai de 18 a 34 anos, esse número aumenta para 61%. 7 em cada 10 consumidores no mundo já desistiram de comprar em lojas físicas devido à espera em filas, segundo a Adyen.

“Realmente quando a loja abre o canal online, atrai muitos clientes novos que não tinham o costume de ir naquela loja específica. É uma oportunidade de expandir e fidelizar a base de clientes”, complementa o co-fundador da Convem Store. 

Não basta ter uma loja virtual

Para se inserir no universo das vendas online, não basta construir uma loja virtual e esperar que as vendas cheguem instantâneamente. O conjunto de esforços para o sucesso da estratégia online inclui otimização de busca pelo estabelecimento na internet, marketing digital, presença em redes sociais feita de forma profissional. Tudo para chegar até o consumidor de forma relevante para construir credibilidade e conquistar espaço em sua memória. 

Com o planejamento e execução corretos, o e commerce de um mercadinho de bairro pode significar um incremento de mais de R$250 mil no faturamento mensal do estabelecimento. 

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