As novas regras do WhatsApp ferem sua privacidade?

As novas regras do WhatsApp ferem sua privacidade?

Está sendo anunciado para o dia 15 de maio o prazo final para aceitarmos as mudanças nos termos de serviço e na política de privacidade do WhatsApp. Essas mudanças, a princípio, afetam a privacidade dos usuários, ao permitir que os dados pessoais coletados no uso do aplicativo possam ser compartilhados com outras mídias sociais do mesmo grupo econômico, como o Facebook.

De acordo com os novos termos de uso, quem não concordar com esse compartilhamento terá sua conta no aplicativo bloqueada e para reativá-la deverá concordar com os termos propostos.

A proposta do WhatsApp afronta diretamente a LGPD (a Lei Geral de Proteção dos Dados), a lei que regulamenta como devem ser colhidos, armazenados, usados e excluídos os dados pessoais no país. De acordo com a legislação, dados pessoais somente podem ser utilizados mediante uma das hipóteses nela previstas. O uso de dados pessoais obedece ao princípio da autodeterminação informativa, ou seja, cabe a cada indivíduo gerir quando e por quem seus dados podem ser utilizados.

O consentimento do usuário, portanto, é fundamental para que seus dados possam ser compartilhados. O WhatsApp, aparentemente, não quer propiciar a escolha ao titular dos dados pessoais. Já existem questionamentos administrativos e de órgãos de defesa do consumidor sobre estes novos termos, mas até o momento não há indicativo de que o WhatsApp aceite negociar alterações para que se obedeça a LGPD e o direito de escolha do usuário.

Já no caso do Facebook, temos uma questão mais antiga. Como se sabe o Facebook coleta dados do usuário (até mesmo quando não se está usando o aplicativo). E em algumas situações comercializou esses dados para a utilização de outras empresas. O caso mais famoso foi o “Cambridge Analytica” , empresa que utilizou os dados obtidos no Facebook para estratégias eleitorais e interferências nas eleições americanas e no Brexit (a votação que retirou a Grã Bretanha da Comunidade Europeia).

O Facebook vem ao longo dos últimos anos sofrendo inúmeras acusações de utilização indevida dos dados e busca sempre celebrar acordos, pagando indenizações e multas para livrar-se de acusações mais sérias. Como a prática se repete, provavelmente as sanções não se mostram suficientes para exigir uma mudança de postura.

Dizendo combater essa prática abusiva de captura de dados, a Apple lançou a atualização de software (iOS 14.5) com a ferramenta App Tracking Transparency (ATT). Assim, os usuários de iOS (iphones, ipads) receberão uma notificação em forma de pop-up na tela sempre que acessarem aplicativos que coletam e compartilham dados com terceiros. Com isso, o usuário saberá quais aplicativos querem coletar seus dados e autorizará ou não essa operação. É uma prática aderente à LGPD.

A reação do Facebook a esta atualização da Apple foi forte. Alegando que esta restrição irá afetar seu modelo de negócio, o Facebook ameaça iniciar um processo judicial contra a Apple. Segundo o Facebook, esta limitação irá encarecer o custo da internet para o usuário final, já que muitos serviços online são gratuitos pois são financiados pela exibição de publicidade, realizada com a coleta dos dados.

A LGPD, como se sabe, trouxe uma série de regras para o tratamento de dados pelas empresas públicas e privadas, com o objetivo de dar garantias ao usuário de que seu direito a privacidade será respeitado. As empresas estão buscando implementar alterações sistêmicas e legais para aderirem à lei.

A credibilidade do sistema de proteção de dados será testada pelas próprias sanções que poderão ser impostas pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados). Como se tem visto, muitos vazamentos de dados têm acontecido de forma massiva pela invasão de sistemas de ministérios e empresas públicas. Espera-se que as sanções sejam aplicadas de forma isonômica para todas as empresas, sem privilégios a empresas públicas ou do Vale do Silício.

Por Francisco Gomes Júnior

A implementação do 5G no Brasil será iniciada em 2022

A implementação do 5G no Brasil será iniciada em 2022

O 5G utiliza ondas de rádio de frequência mais alta do que as usadas pelas redes móveis e atualmente é a mais moderna tecnologia de funcionamento de banda larga, propiciando às pessoas condições de navegar pela internet com velocidade muito maior que o atual 4G, presente na maior parte dos celulares no Brasil.

O 5G está implementado em vários países (como China, Coréia do Sul, Japão, Zona do Euro e EUA) e encontra-se em fase de desenvolvimento no Brasil, com um longo caminho a ser percorrido. As empresas que irão operar nas faixas de frequência liberadas para utilização do 5G serão conhecidas através de leilão após publicação do Edital elaborado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A Agência disponibilizou uma minuta desse Edital, ou seja, uma primeira versão não oficial, que está sujeita a comentários e análise de outros órgãos. O principal desses órgãos é o TCU (Tribunal de Contas da União), que por regimento tem 150 dias para emitir seu parecer sobre o edital, ou seja, a prevalecer este prazo e não havendo outras intercorrências, a publicação deve acontecer entre julho e agosto deste ano.

Após a publicação do Edital, habilitação das empresas aptas a participar da concorrência , realização do leilão e assinatura dos contratos com as empresas vencedoras, se iniciará a implementação da infraestrutura necessária para o funcionamento do 5G. O Edital prevê que a instalação dos equipamentos deverá se iniciar em julho de 2022. Portanto, muitas informações que circulam atualmente sobre a implementação imediata do 5G não estão corretas.

Atualmente algumas empresas informam que já estão oferecendo o serviço móvel 5G, que inclusive aparece na tela de alguns celulares capacitados para essa tecnologia. Na realidade trata-se de uma rede 4G maximizada por meio de DSS (compartilhamento dinâmico do espectro) funcionando em 1.200 MHz na faixa de 6GHz, serviço conhecido nos EUA como Wi-fi 6E, que permite a navegação com maior velocidade e latência (tempo entre dar um comando em um site ou app e a sua execução), mas não se trata do 5G e a velocidade atingida não é a mesma.

Obviamente, o Brasil deve buscar agilizar a implementação do 5G, para a melhoria das condições de navegação e transmissão de dados. Devemos ter agilidade no 5G, fundamental para a economia digital, porém, sem abdicar dos cuidados necessários com a segurança cibernética. Que sejamos capazes da melhor decisão, com transparência e sem novos adiamentos.

Sobre o especialista

Por : Dr. Francisco Gomes Júnior: Advogado sócio da OGF Advogados, formado pela PUC-SP, pós-graduado em Direito de Telecomunicações pela UNB e Processo Civil pela GV Law – Fundação Getúlio Vargas.

A proteção dos dados pessoais e os hackers

A proteção dos dados pessoais e os hackers

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) tem como objetivo principal estabelecer regras e procedimentos para que os dados pessoais dos cidadãos sejam preservados de utilizações indevidas, vazamentos e outros tipos de fraude.

Mostra-se mais do que necessária, já que o Brasil figura entre os países que mais sofrem ataques cibernéticos e mais têm dados vazados. Segundo a empresa de cibersegurança Trend Micro, o Brasil é o segundo país que mais sofre ataques ransomware (quando os dados são sequestrados por um software malicioso e pede-se resgate para a devolução das informações).

E esses ataques devem crescer nos próximos meses, já que em agosto deste ano entrarão em vigor as multas estabelecidas na LGPD. Em outras palavras, a partir desse período as empresas poderão ser multadas por vazamentos de dados sob a sua guarda e outras fraudes que os utilizem. 

As empresas de grande porte, em sua maioria, já fizeram as adaptações para ficarem em conformidade com a LGPD, mas as de menor porte, que estão atravessando dificuldades econômicas por conta da pandemia da COVID-19 não conseguiram. Estima-se que ao menos metade dessas empresas ainda não tenham realizado as medidas necessárias, sobretudo de aumento de segurança para o tratamento de dados pessoais.

Para essa adequação são necessárias adaptações legais e de segurança, investimento não disponível em um momento em que a grande prioridade para muitos é sobreviver. Assim, muitas fragilidades em termos de segurança persistem, terreno fértil para os hackers que podem estar capturando dados e aguardando a proximidade do mês de agosto para tentar a extorsão mediante resgate.

E pode haver empresários que cedam aos hackers. Eles podem solicitar valores de resgate inferiores às multas da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados encarregada de fiscalizar as empresas) e poupam a empresa do desgaste de imagem que um vazamento de dados ou invasão em seus sistemas causa.

Outro aspecto a se levar em consideração e que pode ser nocivo à proteção dos dados pessoais dos cidadãos é o fato da ANPD não ser uma agência independente, mas vinculada à Presidência da República. 

A maior parte dos vazamentos que vemos divulgados são de órgãos governamentais, como Ministério da Saúde, Previdência Social entre outros. Centenas de milhões de dados já foram expostos e novos vazamentos são noticiados semanalmente. Restará a ANPD demonstrar que mesmo estando na estrutura governamental, terá independência para analisar e aplicar multas mesmo contra o interesse governamental.

Somente com a aplicação equânime da LGPD pela ANPD para empresas públicas e privadas, os princípios da proteção de dados serão absorvidos pelas empresas e ganharão credibilidade perante toda a sociedade. Ao contrário, se houver algum tipo de privilégio para empresas públicas e somente a iniciativa privada for penalizada, fica comprometida a credibilidade do sistema de proteção de dados no Brasil. Sejamos otimistas para que a ANPD exerça suas funções com autonomia, para que consiga aumentar sua estrutura de pessoal e para que desempenhe um papel de educar, orientar e sancionar, tudo com equilíbrio e sem ingerências políticas.

Por Francisco Gomes Júnior

Como a tecnologia está definindo o futuro do varejo?

Como a tecnologia está definindo o futuro do varejo?

O varejo possui um papel vital para a economia do Brasil – responsável pela geração do maior número de empregos formais no país e, ainda, por impactar cerca de 47% do PIB nacional. Mesmo diante da devastadora crise gerada pela pandemia, o setor foi um dos poucos que se sobressaiu e apresentou um enorme crescimento em meio às janelas de oportunidade possibilitadas graças à tecnologia.

Com a necessidade de isolamento social e dos comércios fecharem suas portas, a única opção para que pudessem continuar atendendo a demanda de seus clientes foi se redescobrir em meio ao mundo digital. Por mais que muitos não estivessem preparados e, muito menos soubessem as melhores estratégias a serem tomadas, a pandemia exigiu uma mudança drástica e imediata. Até o momento, os resultados acabaram sendo mais positivos do que muitos esperavam.

Segundo um estudo feito pela McKinsey, esse cenário global impulsionou, em apenas 90 dias, mudanças no comércio eletrônico e no comportamento que deveriam acontecer ao longo dos próximos 10 anos. Como resultado, dados divulgados pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em parceria com a Neotrust, mostraram um crescimento de 68% nas vendas de 2020 quando comparado com 2019. Dentro desse número, somente o e-commerce elevou o faturamento do setor de 5% para 10% em poucos meses.

Por mais que essa inserção tecnológica não tenha sido uma escolha, mas uma necessidade de adaptação, não podemos negar que acabou agregando muito para o crescimento do setor. Com as vendas online, os varejistas conseguem ter uma maior abrangência de suas vendas sem as implicações de uma loja física – sem falar na redução significativa de gastos com o espaço.

Em um mercado cada vez mais tecnológico, a tendência é que a preferência por serviços online tenda a aumentar, e as empresas não podem fugir desse cenário. As compras online agora dominam o panorama do comércio e, independente do porte da empresa, é preciso se adaptar, entender as necessidades dos clientes, onde se encontram e, principalmente investir em soluções tecnológicas eficientes que os atendam da melhor forma possível.

Em 2021, as vendas online tendem a continuar em crescimento. Um estudo feito pela E-bit|Nielsen, empresa de mensuração e análise de dados, demonstra que em 2021 as vendas online tendem a continuar em expansão. A previsão é de que o e-commerce deva crescer 26%, atingindo um faturamento de R$110 bilhões.

Agora, é importante relembrar que muito além de investir na digitalização e inserção do mercado, o varejo também deve se preocupar em oferecer a melhor experiência de compra possível. Afinal, a competitividade do mercado aumentou, e conquistar a fidelidade dos clientes pode se tornar mais difícil com um maior leque de opções.

É preciso encontrar novas e mais versáteis estratégias para alcançar e conquistar os clientes. Simples ações como uma entrega barata e eficiente no dia seguinte à compra, programas de fidelidade e até mesmo provadores virtuais onde você pode experimentar roupas em casa, podem fazer toda a diferença.

Manter um relacionamento próximo e personalizado com os clientes é o grande segredo para o sucesso do setor varejista nesse mercado tecnológico. As perspectivas são muito positivas se lembrarem de garantir a melhor experiência do cliente, além do foco em seus lucros.

Marcos Guerra é Superintendente do Comercial e Marketing na Pontaltech, empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel.

Sobre a Pontaltech:

Fundada em 2011, a Pontaltech é uma empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel que ajuda empresas a automatizar e escalar seus atendimentos com um portfólio composto por diversos canais digitais e de voz. Com soluções integradas de SMS, e-mail, chatbot, RCS, agente virtuais, entre outros, simplifica a comunicação das empresas com seus clientes de forma inteligente e eficiente, sem nunca perder a proximidade humana.

Por Marcos Guerra

Com a tecnologia 5G, o futuro deve ser para todos

Com a tecnologia 5G, o futuro deve ser para todos

Em 2020, ano marcado pelo trabalho remoto, ensino à distância, shows virtuais e encontros online com amigos e familiares, o Brasil atingiu a marca de 122 milhões de pessoas conectadas  à internet, sendo 88% desses usuários detentores de dispositivos móveis, segundo o mais recente relatório da ComScore. Nesse contexto, muito tem sido falado sobre a tecnologia 5G e o quanto ela representará o próximo passo em termos de conectividade. No entanto, no país, apenas a rede 5G DSS está disponível no momento. Essa rede, que não chega a ser o 5G de que se tanto fala, mas proporciona mais velocidade e uma latência menor nas aplicações, chegou ao Brasil por iniciativa das operadoras e serviu como primeiro passo para que o país, hoje, dê início a implementação da tecnologia do 5G standalone em todas as capitais – uma meta prevista para ser concluída em 2022 e que tem potencial para gerar um impacto de $1.2 trilhão na economia do País e um aumento de $3.08 trilhões na produtividade até 2035.

Para entender a diferença entre o 5G DSS e o 5G, antes é preciso esclarecer que, mesmo dependendo das redes atuais para funcionar e sendo esta uma curva de implementação mais rápida do que a ocorrida do 3G para o 4G, o 5G DSS é uma tecnologia com padrão 5G NR (New Radio) e, portanto, um avanço tecnológico em comparação ao 4G.  Ainda que com um desempenho superior ao da geração anterior, o 5G DSS, no entanto, não atinge a velocidade alcançada pelo 5G, que pode chegar a até 1,8 Gbps.

A chegada da conexão de quinta geração, novidade que ainda causa dúvida e curiosidade em parte da população, é um avanço tecnológico sem precedentes e irá impactar – de diversas maneiras – a vida de todos os brasileiros. Afinal, a tecnologia 5G irá viabilizar façanhas tecnológicas ao possibilitar que não apenas novas aplicações sejam desenvolvidas, como também sejam realizadas em tempo real. Telemedicina, aplicações AIoT (Artificial Intelligence of Things) e carros autônomos são exemplos de como essa tecnologia chegará ao Brasil para renovar o mercado e acelerar também o desenvolvimento de setores que são a base de nossa sociedade, como saúde, transporte e educação.

A relevância desses avanços em conectividade, em um âmbito nacional, traz destaque ao fato de que é fundamental que o 5G seja, além de implementado e comercializado, extremamente democratizado. Com a necessidade do distanciamento social e todas as mudanças de comportamento que a pandemia trouxe, o impacto das novas tecnologias se estende a todas as esferas do cotidiano e, portanto, não deve ser limitada a alguns. Em um momento em que somos lembrados sobre a importância do senso coletivo, é importante que o futuro chegue ao Brasil como um todo e não apenas para uma parte da população.

Em 2022, ano em que se impõe a missão de levar essa nova tecnologia aos quatro cantos do país, o mercado, com respaldo da iniciativa pública, terá um importante papel para garantir que todos tenham acesso a essa porta para o futuro. Às operadoras, cabe oferecer acesso à rede 5G por meio de planos acessíveis, enquanto empresas de tecnologia, como a realme, têm o compromisso de oferecer dispositivos que permitam essa conexão a um mundo de possibilidades. Afinal, o futuro é para todos. 

Sobre a realmeCom a missão de trazer para o mercado produtos AIoT que definem tendências, a realme é a marca de smartphones e wearables que mais cresce no mundo. Fundada na Ásia em 2018, a marca desembarcou no Brasil em janeiro de 2021 e “ousa ir além” com a oferta do que há de mais inovador nos segmentos de tecnologia e design. Com uma base de mais de 50 milhões de usuários globais, a realme está presente em 61 mercados ao redor do mundo, incluindo China, Sudeste Asiático, Sul da Ásia, Europa, Rússia, Austrália, Oriente Médio, África

Dados divulgados pela Canalys, empresa de análise de mercado, a apontaram como uma das cinco principais fabricantes de smartphones em 15 regiões no último trimestre de 2020. Em 2019, suas remessas de smartphones alcançaram o marco de 25 milhões de unidades, com uma taxa de crescimento anual de 808%. Assim, a realme ocupa o posto da marca do segmento que mais cresceu por quatro trimestres consecutivos. 

Ao longo do ano, a realme trará para o Brasil cerca de 20 produtos disruptivos como smartphones, smartwatches, fones de ouvido e devices para casas inteligentes. Com isso, a marca pretende atingir ainda mais o público jovem e de mentalidade global.

Por Marcelo Sato, Gerente de Vendas Sênior da realme no Brasil

5 dicas para atrair os melhores investidores para sua startup

5 dicas para atrair os melhores investidores para sua startup

Um dos passos mais importantes no percurso de uma startup é o momento de atrair investidores. Sendo empresas de pequeno porte, é comum que só consigam realmente tracionar o modelo de negócio a partir de um investimento . Mas como consegui-lo?

Mesmo quando os negócios vão bem, é preciso mais do que alguns bons resultados para conquistar a confiança dos investidores. Eles precisam ser convencidos de que aquela startup vale o risco, acima de tantas outras que também estão em busca de capital. É preciso provar que aquela empresa é escalável, ou seja, que há uma forte demanda por aquela solução; que a equipe está pronta para o desafio, que os números e projeções são realistas. Enfim, uma série de fatores é levada em consideração pelos investidores.

No Brasil, temos alguns exemplos de sucesso na busca por investimento. É o caso de João Cristofolini, co-fundador e gestor da Pegaki, empresa de logística que teve um early exit (venda realizada em até cinco anos desde a fundação). A Pegaki foi adquirida pela Intelipost, maior plataforma nacional de gestão de fretes, no final de 2020, mas recebeu alguns aportes ao longo dos anos até o evento de aquisição.

Segundo João, os investimentos foram fundamentais para o crescimento da empresa. “Toda startup encontrará um limite em algum momento, um impedimento financeiro para escalar. O objetivo é mostrar aos investidores que esse é o maior obstáculo: você tem o serviço, tem o modelo certo e a equipe certa. Só falta o caixa”, afirma.

O empresário ressalta que a atração desses investidores está relacionada a alguns requisitos básicos. “Ninguém vai investir em uma empresa bagunçada, sem um plano de crescimento bem estabelecido, ou que não demonstre nenhum tipo de vantagem competitiva no mercado em que atua. São muitos pontos que precisam ser bem visíveis”, conta.

Nesse sentido, Cristofolini listou cinco dicas para startups que buscam atrair bons investidores.

  1. Defina o modelo de captação

Há diferentes maneiras de obter recursos. As principais são:

  • Capital semente, no qual o investidor fornece apenas o necessário para os primeiros passos da empresa. Aceleradoras e Incubadoras se enquadram nessa categoria
  • Investidor-anjo, geralmente um profissional experiente que, além do aporte financeiro, também costuma oferecer aconselhamento
  • Venture capital, onde é oferecida participação societária em troca do investimento. Tradicionalmente, se interessam por startups em estágio mais avançado
  • Equity crowdfunding, um tipo de financiamento coletivo com diversos investidores, em que também há o retorno em participação societária para os investidores

A definição do modelo é fundamental para iniciar a busca.

Se a startup preferir um investidor-anjo, por exemplo, é possível que o encontre através de networking. Já no caso do crowdfunding, existem plataformas próprias para conectar empreendedores e investidores. Portanto, essa escolha define boa parte do processo, porque ela define tempo de captação, valores e agilidade no processo.

“A Pegaki captou pela EqSeed, atualmente a maior plataforma de equity crowdfunding do Brasil. Entre outras vantagens, vale destacar um contrato que harmoniza o interesse da startup e do investidor e a velocidade no tempo de captação. É bem prático e seguro”, avalia João. 

  1. Planeje com cuidado e coerência

O plano de negócios estabelece, em grande parte, a confiança do investidor no futuro da startup. Os dados devem ser bem claros e transparentes, e o crescimento potencial deve ser realista. O retorno só pode ser projetado a partir daí. “Não adianta exagerar demais nas informações. Os investidores já viram inúmeros planos de negócios e sabem identificar exageros. A transparência é a melhor ferramenta”, completa.

  1. Estabeleça o valor adequado

É muito comum encontrar startups que inflam o valuation (valor de mercado) da empresa e logo são rechaçadas pelos investidores. O oposto também acontece: investidores que tentam jogar para baixo o valor da startup para comprarem a maior fatia pelo menor preço. Nenhuma das práticas é a mais saudável. 

O cenário ideal é quando a startup estabelece seu valor de mercado baseada em indicadores concretos, capazes de sobreviver aos questionamentos dos investidores. A partir daí, o aporte necessário para cada startup varia bastante. O fundamental é que ele esteja alicerçado em números e fatos realistas.

  1. Desenvolva sua equipe

Os profissionais que compõem a equipe de uma startup são os maiores responsáveis pelo seu sucesso. Dos cargos mais altos até os de menor experiência, todos precisam se mostrar empenhados, dedicados à área de atuação da empresa e dispostos a aprender. Mesmo as melhores ideias não resistem a uma cultura organizacional fraca e a uma equipe desmotivada.

  1. Capriche na apresentação

Todos esses pontos precisam chegar ao investidor da forma mais esclarecedora possível. Cada tópico entra no pitch, a apresentação em que a startup consegue ou não a atenção dos investidores. Ela pode ser feita apenas verbalmente ou com apoio de slides, como é mais comum. O mesmo vale para a demonstração do modelo de negócios.

É recomendável também oferecer um pitch deck    , com um resumo de tudo que for tratado no pitch, para servir de material complementar e de rápida consulta. De qualquer maneira, é importante sempre prezar pela concisão em todas as etapas da apresentação.

João encerra lembrando que essas dicas valem para qualquer tipo de investidor, mesmo que cada tipo seja encontrado em locais diferentes. “É uma prospecção. Você pode encontrar os investidores certos para sua startup via LinkedIn, por exemplo, ou via plataformas de investimento, eventos de negócios, programas de incubação, entre outros. Encontrá-los é o primeiro passo, mas seguir essas dicas é o que vai fazer a diferença quando eles estiverem ouvindo o que você tem a dizer”, finaliza.

Sobre a Pegaki

Criada em 2016, a Pegaki surgiu para resolver problemas de insucesso de entregas do e-commerce. Atualmente, a Pegaki está presente em 1.500 pontos em todos os estados do Brasil. O plano é chegar a 20 mil pontos nos próximos três anos, agregando tecnologia e inteligência ao desenvolvimento de iniciativas de omnichannel.  Para mais informações acesse www.pegaki.com.br.

Por João Cristofolini, sócio fundador da startup de logística Pegaki

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